Texto publicado na edição de 19 de fevereiro de 2013 do jornal Alô Brasília.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Absurdo?
Minha quarta coluna no SPNet, publicada no dia 30 de junho de 2011. Foi complicado escrever após sofrermos uma derrota por 5 a 0 para o nosso rival, Corinthians, mas futebol é assim mesmo. A coluna teve um bom número de acessos, alcançando o segundo lugar da semana. Já o São Paulo Futebol Clube...
Rodrigo Ramthum
Absurdo?
Leia e tire suas conclusões
Publicado por ramthum
30/06/2011
“SPFC escalado! Confira os 11 titulares (...)”. Quando, no último dia 26, o twitter oficial do São Paulo Futebol Clube publicou esse texto, seguido de um link com a escalação para o jogo contra o Corinthians (leia aqui), nenhum são paulino poderia prever o que aconteceria nojogo.
Como todos já sabem, clássico é clássico e vice-versa. Minha expectativa era de que manteríamos, no mínimo, a invencibilidade. Na melhor das hipóteses, sairíamos com os três pontos. Na pior delas sairíamos com uma derrota, mas nada acachapante. O que de fato aconteceu, amigos, foi que o São Paulo Futebol Clube levou a maior goleada (5x0) já sofrida contra nosso arquirrival em CampeonatosBrasileiros.
Na página oficial do tricolor no Facebook, a manchete era “Com um a menos, Tricolor perde o clássico”. Prontamente, o torcedor Thiago Rios resumiu o sentimento da maioria dos torcedores: “De boa, o juiz não errou em expulsar o C. Paraíba [Carlinhos Paraíba]... Vamos parar de arrumar isso como desculpa.” (leia aqui). Eu concordo com ele. É fato que sentimos a ausência do Lucas e do Casemiro, bem como a expulsão do Paraíba, mas nem isso pode explicar, ou atenuar, um 5x0.
Não farei uma análise mais profunda da partida, pois para isso existem outras colunas aqui no SPNet, mas vou repercutir alguns comentários/notícias que li após o jogo de domingo. Confiram:
“Após goleada, São Paulo reforça segurança no CT da Barra Funda”
(@SPNet_Oficial, twitter oficial do SPNet)
“Cacilds! O São Paulo tomou mais gols do que eu tomei garrafas de cachaça hojis!”
(@MussumAlive, twitter de humor)
“Precisamos superar derrotas sem perder a classe. Falar mal não resolve. Ao trabalho, confiando nos mais velhos também.”
(@vereadormac, twitter oficial do Marco Aurélio Cunha (MAC))
“Corinthians provoca o Tricolor em site oficial: 'freguês bom sempre volta’”
(@ge_saopaulo, twitter do GloboEsporte.com exclusivo sobre o tricolor)
O fato é que o São Paulo foi goleado e tivemos que aguentar as brincadeiras dos amigos. É a vida. Mas o jogo de ontem (quarta-feira) contra o Botafogo, no Morumbi, deveria ter servido para apagar o mau desempenho de domingo. Deveria.
São Paulo X Botafogo
O São Paulo entrou em campo com um Morumbi vazio. Pouco mais de 8 mil torcedores foram ao estádio. Isso é compreensível. O que não é compreensível é o São Paulo, após cinco partidas, levar apenas um gol e, apenas duas rodadas depois, ter levado oito. O que não é compreensível é o nosso goleiro bater uma falta como a que bateu na primeira etapa do jogo (Rogério isolou a bola) e falhar daquela forma no primeiro gol (assista aqui).
O fato é que o time todo do São Paulo não jogou bem, deu espaço de sobra para o Botafogo e demonstrou um poder de reação pífio. Ao final do jogo, que terminou com a vitória do time carioca por dois a zero, Rogério Ceni disse em entrevista que “esse não é o São Paulo”. Concordo. A torcedora Denise Oliveira, pelo Facebook, também concordou (leia aqui). Mas o que pode ser feito para que voltemos a ser o São Paulo das cinco primeiras rodadas? Alguém se arrisca a responder?
Para fechar a coluna, quero, finalmente, explicar o título. As duas derrotas são um absurdo? São, por acaso, inaceitaveis? Que nada! Isso mesmo, que nada. Não é absurdo perder duas partidas seguidas após cinco vitórias. Futebol é isso mesmo. Ontem eu já estava preparado para soltar os cachorros em cima do tricolor na coluna de hoje (em especial no Carpegiani), mas eis que meu sobrinho, Ricardo Ramthum, tuita a seguinte frase após uma cobrança de falta do Ceni no segundo tempo: “aê, essa foi mais perto do gol, Rogério!”. Se ele, que tem apenas 15 anos, consegue levar na esportiva essas duas derrotas, não serei eu a fazer drama por conta disso.
Vamos em frente, tricolor. Temos uma semana para treinar, refletir (isso é importante) e nos prepararmos para enfrentar o Flamengo. Vamos com tudo!
A 'tuitada' da semana... (levem na esportiva, ok?)
"CADE analisa fusão entre Sadia e Rogério Ceni."
(@microcontoscos, twitter de humor criado por Leonardo Lanna)
@SPNet_Oficial
- Seleção do que foi notícia no twitter do SPNet durante a semana -
"Erros e acertos de uma goleada http://migre.me/57FM1" (26 de junho)
"Fifa destaca goleada e olé do Corinthians em clássicohttp://migre.me/57LYy" (27 de junho)
"Política de reestruturação http://migre.me/589FG" (28 de junho)
"Rogério Ceni assume culpa e contraria Dagoberto sobre realidade são-paulina http://migre.me/58ZgE" (30 de junho)
O são paulino Rodrigo Ramthum tem 29 anos, é jornalista e reside em Brasília, DF. Escreve nesse espaço sempre às quintas-feiras.
Rodrigo Ramthum
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Absurdo?
Leia e tire suas conclusões
Publicado por ramthum
30/06/2011
“SPFC escalado! Confira os 11 titulares (...)”. Quando, no último dia 26, o twitter oficial do São Paulo Futebol Clube publicou esse texto, seguido de um link com a escalação para o jogo contra o Corinthians (leia aqui), nenhum são paulino poderia prever o que aconteceria nojogo.
Como todos já sabem, clássico é clássico e vice-versa. Minha expectativa era de que manteríamos, no mínimo, a invencibilidade. Na melhor das hipóteses, sairíamos com os três pontos. Na pior delas sairíamos com uma derrota, mas nada acachapante. O que de fato aconteceu, amigos, foi que o São Paulo Futebol Clube levou a maior goleada (5x0) já sofrida contra nosso arquirrival em CampeonatosBrasileiros.
Na página oficial do tricolor no Facebook, a manchete era “Com um a menos, Tricolor perde o clássico”. Prontamente, o torcedor Thiago Rios resumiu o sentimento da maioria dos torcedores: “De boa, o juiz não errou em expulsar o C. Paraíba [Carlinhos Paraíba]... Vamos parar de arrumar isso como desculpa.” (leia aqui). Eu concordo com ele. É fato que sentimos a ausência do Lucas e do Casemiro, bem como a expulsão do Paraíba, mas nem isso pode explicar, ou atenuar, um 5x0.
Não farei uma análise mais profunda da partida, pois para isso existem outras colunas aqui no SPNet, mas vou repercutir alguns comentários/notícias que li após o jogo de domingo. Confiram:
“Após goleada, São Paulo reforça segurança no CT da Barra Funda”
(@SPNet_Oficial, twitter oficial do SPNet)
“Cacilds! O São Paulo tomou mais gols do que eu tomei garrafas de cachaça hojis!”
(@MussumAlive, twitter de humor)
“Precisamos superar derrotas sem perder a classe. Falar mal não resolve. Ao trabalho, confiando nos mais velhos também.”
(@vereadormac, twitter oficial do Marco Aurélio Cunha (MAC))
“Corinthians provoca o Tricolor em site oficial: 'freguês bom sempre volta’”
(@ge_saopaulo, twitter do GloboEsporte.com exclusivo sobre o tricolor)
O fato é que o São Paulo foi goleado e tivemos que aguentar as brincadeiras dos amigos. É a vida. Mas o jogo de ontem (quarta-feira) contra o Botafogo, no Morumbi, deveria ter servido para apagar o mau desempenho de domingo. Deveria.
São Paulo X Botafogo
O São Paulo entrou em campo com um Morumbi vazio. Pouco mais de 8 mil torcedores foram ao estádio. Isso é compreensível. O que não é compreensível é o São Paulo, após cinco partidas, levar apenas um gol e, apenas duas rodadas depois, ter levado oito. O que não é compreensível é o nosso goleiro bater uma falta como a que bateu na primeira etapa do jogo (Rogério isolou a bola) e falhar daquela forma no primeiro gol (assista aqui).
O fato é que o time todo do São Paulo não jogou bem, deu espaço de sobra para o Botafogo e demonstrou um poder de reação pífio. Ao final do jogo, que terminou com a vitória do time carioca por dois a zero, Rogério Ceni disse em entrevista que “esse não é o São Paulo”. Concordo. A torcedora Denise Oliveira, pelo Facebook, também concordou (leia aqui). Mas o que pode ser feito para que voltemos a ser o São Paulo das cinco primeiras rodadas? Alguém se arrisca a responder?
Para fechar a coluna, quero, finalmente, explicar o título. As duas derrotas são um absurdo? São, por acaso, inaceitaveis? Que nada! Isso mesmo, que nada. Não é absurdo perder duas partidas seguidas após cinco vitórias. Futebol é isso mesmo. Ontem eu já estava preparado para soltar os cachorros em cima do tricolor na coluna de hoje (em especial no Carpegiani), mas eis que meu sobrinho, Ricardo Ramthum, tuita a seguinte frase após uma cobrança de falta do Ceni no segundo tempo: “aê, essa foi mais perto do gol, Rogério!”. Se ele, que tem apenas 15 anos, consegue levar na esportiva essas duas derrotas, não serei eu a fazer drama por conta disso.
Vamos em frente, tricolor. Temos uma semana para treinar, refletir (isso é importante) e nos prepararmos para enfrentar o Flamengo. Vamos com tudo!
A 'tuitada' da semana... (levem na esportiva, ok?)
"CADE analisa fusão entre Sadia e Rogério Ceni."
(@microcontoscos, twitter de humor criado por Leonardo Lanna)
@SPNet_Oficial
- Seleção do que foi notícia no twitter do SPNet durante a semana -
"Erros e acertos de uma goleada http://migre.me/57FM1" (26 de junho)
"Fifa destaca goleada e olé do Corinthians em clássicohttp://migre.me/57LYy" (27 de junho)
"Política de reestruturação http://migre.me/589FG" (28 de junho)
"Rogério Ceni assume culpa e contraria Dagoberto sobre realidade são-paulina http://migre.me/58ZgE" (30 de junho)
O são paulino Rodrigo Ramthum tem 29 anos, é jornalista e reside em Brasília, DF. Escreve nesse espaço sempre às quintas-feiras.
Aprenda “wikiwiki” o que significa “wiki"
Outro artigo publicado no Blog da Apoio 3, dessa vez no dia 02 de agosto de 2010. Esse trata do termo "wiki" relacionado a internet. Sabe o que significa? O texto explica "wikiwiki".
Rodrigo Ramthum
Por Rodrigo Ramthum
Desde muito cedo percebi que não se deve persistir em um trocadilho fraco. Então, para começo de assunto, vamos esclarecer o título. O termo ‘wiki’, em havaiano, significa rápido. Ao ser duplicado, passa a significar muito rápido. Logo, esta postagem se propõe a explicar em poucas linhas do que se tratam as wikis.
O termo wiki ligado a internet foi lançado por um programador de computadores, o americano Ward Cunninghan, em meados dos anos 90. A ideia era criar um web site visando tornar “a troca de ideia entre programadores mais fácil e ágil”, de acordo com o próprio Cunningham.
Essa “troca de ideia” pressupunha um espaço onde todos pudessem contribuir. Daí surgiu o termo wiki para designar plataformas onde os conteúdos possam ser adicionados ou alterados por qualquer usuário da rede de maneira rápida e descomplicada. A inspiração veio de uma viagem que Cunninghan fez ao Havaí, onde conheceu os Wiki Wiki Shuttle, que são ônibus destinados a curtos trajetos entre os terminais do aeroporto de Honolulu, capital do Havaí.
Wikipédia
A wiki mais famosa é a Wikipédia. Quando efetuamos uma busca no Google, ele nos mostra o resultado em ordem hierárquica, definido pelo número de acessos de cada página. Via de regra, ao pesquisarmos sobre uma marca, um músico pelo qual nos interessamos, ou até mesmo sobre um fato histórico, a Wikipédia aparece entre os primeiro resultados. Isso porque ela tem uma ótima aceitação entre os usuários da internet como fonte de pesquisa rápida, ou melhor, muito rápida.
O que garante a confiabilidade da Wikipédia são os seus editores. Pessoas espalhadas por todo o globo monitoram os artigos publicados, ou alterados, garantindo a veracidade das informações. Esse sistema não é a prova de falhas. Recente, pesquisando sobre um lutador de MMA, encontrei na Wikipédia a “informação” de que o atleta já havia derrotado o Jaspion, herói fictício de um seriado japonês dos anos 80. Em 16 de junho desse ano, um usuário anônimo inseriu a falsa informação de que a atriz Drica Moraes havia falecido. No entanto, levou somente 15 minutos para que um colaborador da Wikipédia percebesse o erro e corrigisse o artigo.
WikiLeaks e WikiCrimes
Outra wiki que ganhou destaque nos últimos anos é a WikiLeaks. O site é descrito como um “serviço público criado para proteger denunciantes, jornalistas e ativistas que possuam materiais relevantes para serem divulgados ao mundo [leaks, em inglês, significa vazamento]”. Recentemente a WikiLeaks divulgou documentos confidenciais sobre a guerra do Afeganistão, causando furor em toda a mídia internacional.
No Brasil existe a WikiCrimes. Desenvolvido pelos brasileiros Vasco Furtado e
Leonardo Ayres, a WikiCrimes se propõe a mapear crimes e informar ao usuário as localidades mais perigosas. O site, criado em 2007, possui o slogan “Mapeando crimes colaborativamente”.
Links:
Wikipédia – www.wikipedia.org
WikiLeaks – www.wikileaks.org
WikiCrimes – www.wikicrimes.org
Rodrigo Ramthum
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Aprenda “wikiwiki” o que significa “wiki"| O criador do termo 'wiki' associado a internet, Ward Cunninghan |
Desde muito cedo percebi que não se deve persistir em um trocadilho fraco. Então, para começo de assunto, vamos esclarecer o título. O termo ‘wiki’, em havaiano, significa rápido. Ao ser duplicado, passa a significar muito rápido. Logo, esta postagem se propõe a explicar em poucas linhas do que se tratam as wikis.
O termo wiki ligado a internet foi lançado por um programador de computadores, o americano Ward Cunninghan, em meados dos anos 90. A ideia era criar um web site visando tornar “a troca de ideia entre programadores mais fácil e ágil”, de acordo com o próprio Cunningham.
Essa “troca de ideia” pressupunha um espaço onde todos pudessem contribuir. Daí surgiu o termo wiki para designar plataformas onde os conteúdos possam ser adicionados ou alterados por qualquer usuário da rede de maneira rápida e descomplicada. A inspiração veio de uma viagem que Cunninghan fez ao Havaí, onde conheceu os Wiki Wiki Shuttle, que são ônibus destinados a curtos trajetos entre os terminais do aeroporto de Honolulu, capital do Havaí.
Wikipédia
A wiki mais famosa é a Wikipédia. Quando efetuamos uma busca no Google, ele nos mostra o resultado em ordem hierárquica, definido pelo número de acessos de cada página. Via de regra, ao pesquisarmos sobre uma marca, um músico pelo qual nos interessamos, ou até mesmo sobre um fato histórico, a Wikipédia aparece entre os primeiro resultados. Isso porque ela tem uma ótima aceitação entre os usuários da internet como fonte de pesquisa rápida, ou melhor, muito rápida.
| Página inicial da Wikipédia: site conta com mais de meio milhão de artigos em lingua portuguesa |
WikiLeaks e WikiCrimes
Outra wiki que ganhou destaque nos últimos anos é a WikiLeaks. O site é descrito como um “serviço público criado para proteger denunciantes, jornalistas e ativistas que possuam materiais relevantes para serem divulgados ao mundo [leaks, em inglês, significa vazamento]”. Recentemente a WikiLeaks divulgou documentos confidenciais sobre a guerra do Afeganistão, causando furor em toda a mídia internacional.
No Brasil existe a WikiCrimes. Desenvolvido pelos brasileiros Vasco Furtado e
Leonardo Ayres, a WikiCrimes se propõe a mapear crimes e informar ao usuário as localidades mais perigosas. O site, criado em 2007, possui o slogan “Mapeando crimes colaborativamente”.
Links:
Wikipédia – www.wikipedia.org
WikiLeaks – www.wikileaks.org
WikiCrimes – www.wikicrimes.org
Artigo: STF, William Bonner e @Sensacionalista: três cases de sucesso no twitter
Publiquei esse artigo no blog da empresa Apoio 3 Sistema de Comunicação, na qual trabalhei durante vários anos. Ele foi escrito no dia 23 de fevereiro de 2011.
Rodrigo Ramthum
Artigo: STF, William Bonner e @Sensacionalista: três cases de sucesso no twitter
O que faz um twitter ser sucesso de público? O que faz um sucesso de público ser sucesso também no twitter? Enfim, o que faz um twitter de sucesso? Ao olhar com atenção o rumo que o twitter tomou no Brasil, podemos encontrar múltiplas respostas para cada uma dessas questões.
No dia 15 deste mês, uma estagiária do Supremo Tribunal Federal (STF) utilizou a conta oficial do Órgão no twitter para contar uma piada sobre o presidente do Senado, José Sarney. O mote da piada era a aposentadoria do jogador de futebol Ronaldo Luís Nazário de Lima, o “Fenômeno” (veja imagem abaixo).
Sarney não demonstrou ter levado a sério a brincadeira e chegou a divulgar no YouTube um vídeo comentando o ocorrido (assista aqui). O presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Cezar Peluso, não comentou o caso, mas a Secretaria de Comunicação Social divulgou nota esclarecendo o fato, informando sobre a devolução da estagiária e pedindo desculpas à “eminente autoridade” envolvida no episódio.
Não vou entrar no mérito do amadorismo demonstrado pela assessoria de imprensa, a qual permitiu à uma estagiária contratada por uma empresa terceirizada acesso ao twitter oficial do STF. Quero destacar o fato deste mesmo twitter ter conquistado mais de 10 mil seguidores em uma semana.
O sucesso
O Supremo Tribunal Federal já havia ganhado notoriedade entre usuários de redes sociais por conta da votação da chamada “Lei da Ficha Limpa”, durante as eleições de 2010. Isso o colocou entre os twitters de Órgãos do Governo com maior número de seguidores. No entanto, o episódio envolvendo a estagiária ajudou o perfil do STF a alcançar a marca de 73 mil seguidores.
Falando em seguidores, o twitter com maior número deles no país é o do apresentador Luciano Huck, da Rede Globo. Atualmente Luciano Huck conta com 2,732,186 (dois milhões, 732 mil e 186) seguidores no micro blog. Um ótimo exemplo de sucesso em redes sociais. Outro bom exemplo também vem da Rede Globo: William Bonner.
STF, Bonner, @Sensacionalista e as considerações finais
William Bonner entrou no twitter como quem não quer nada. Começou brincando com sua falta de habilidade em tuitar. Perguntava e era prontamente respondido pelos primeiros seguidores. Não fazia menção ao Jornal Nacional e chegou a tuitar uma “receita de brigadeiro exclusiva”. O âncora do jornal recordista de audiência no Brasil há quatro décadas passava uma imagem diferente do que eu, e creio que a maioria, imaginávamos.
A partir daí, os seguidores se multiplicaram e criou-se a “tropa” do “tio Bonner”, o qual passou aos poucos a inserir o JN em suas tuitadas. Realizou votações para escolher a gravata que usaria, comentou reportagens especiais que foram ao ar, enfim, tudo de maneira bem natural. A essa altura, ele já contava com quase um milhão de seguidores no twitter.
Atualmente, Bonner tem exatos 1,280,671 (um milhão, 280 mil e 671) seguidores. Sempre inovador, ele agora tuita durante a apresentação do Jornal Nacional. O “comandante” informa sobre o que virá no próximo bloco, comenta trechos de matérias e, ao final, se despede com um intimista “show, né? Vocês também. Obrigado, tropa. Inté”.
E onde entra o @Sencacionalista nessa história? Bom, ele serve como elo de ligação entre os dois exemplos. Primeiramente, o site Sensacionalista: Um jornal isento de verdade (assim mesmo, sem vírgula) foi criado por um grupo de amigos. A ideia é soltar na internet manchetes falsas baseadas em acontecimentos do cotidiano. Deu certo. O twitter do @Sensacionalista está próximo de alcançar os 60 mil seguidores. Os caras já causaram confusão quando publicaram a “notícia” de que uma americana havia ficado grávida assistindo a um filme pornô 3D. Basta uma rápida busca no google para descobrir que grandes jornais de todo o mundo publicaram a piada como sendo verdadeira.
Recentemente, a equipe responsável pelo @Sensacionalista assinou contrato com o canal a cabo Multishow para um programa que deve estrear em março deste ano. Eles farão o caminho inverso ao feito por William Bonner. Bonner já era sucesso na televisão, com uma carreira de mais de 20 anos dedicados ao jornalismo. Aventurou-se no twitter e conseguiu repetir o êxito em um território nem sempre seguro para celebridades. Já o @Sensacionalista conquistou sucesso no twitter e vai partir para uma nova empreitada em um grande canal de televisão.
Com esses exemplos, procurei ilustrar o que levou ao sucesso três twitters tão diferentes. Isso não quer dizer que exista uma fórmula. Existem vários outros casos bem sucedidos de pessoas, empresas e organizações que conseguem, em maior ou menor grau, sucesso no twitter. Esse “sucesso” pode ser compreendido de várias formas, assim como o número de seguidores não define por si só o êxito. A apresentadora Xuxa Meneguel, desde que se calou no twitter em 2009, já ganhou mais de 300 mil seguidores. Pense nisso.
Para encerrar o artigo, faço uma última consideração sobre o @Sensacionalista. A equipe responsável pelo site e pelo twitter é sem dúvida muito competente, e eles podem ter ganhado uma contribuição de peso, já que anunciaram oferta de emprego como redatora para a estagiária que foi “devolvida” pelo STF no episódio da piada com Sarney (leia aqui). Quem sabe a moça não vira um sucesso no twitter? Quem sabe?
Rodrigo Ramthum
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Artigo: STF, William Bonner e @Sensacionalista: três cases de sucesso no twitter
| William Bonner em foto divulgada pelo twitter: o comandante da tropa |
No dia 15 deste mês, uma estagiária do Supremo Tribunal Federal (STF) utilizou a conta oficial do Órgão no twitter para contar uma piada sobre o presidente do Senado, José Sarney. O mote da piada era a aposentadoria do jogador de futebol Ronaldo Luís Nazário de Lima, o “Fenômeno” (veja imagem abaixo).
Sarney não demonstrou ter levado a sério a brincadeira e chegou a divulgar no YouTube um vídeo comentando o ocorrido (assista aqui). O presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Cezar Peluso, não comentou o caso, mas a Secretaria de Comunicação Social divulgou nota esclarecendo o fato, informando sobre a devolução da estagiária e pedindo desculpas à “eminente autoridade” envolvida no episódio.
Não vou entrar no mérito do amadorismo demonstrado pela assessoria de imprensa, a qual permitiu à uma estagiária contratada por uma empresa terceirizada acesso ao twitter oficial do STF. Quero destacar o fato deste mesmo twitter ter conquistado mais de 10 mil seguidores em uma semana.
O sucesso
O Supremo Tribunal Federal já havia ganhado notoriedade entre usuários de redes sociais por conta da votação da chamada “Lei da Ficha Limpa”, durante as eleições de 2010. Isso o colocou entre os twitters de Órgãos do Governo com maior número de seguidores. No entanto, o episódio envolvendo a estagiária ajudou o perfil do STF a alcançar a marca de 73 mil seguidores.
Falando em seguidores, o twitter com maior número deles no país é o do apresentador Luciano Huck, da Rede Globo. Atualmente Luciano Huck conta com 2,732,186 (dois milhões, 732 mil e 186) seguidores no micro blog. Um ótimo exemplo de sucesso em redes sociais. Outro bom exemplo também vem da Rede Globo: William Bonner.
STF, Bonner, @Sensacionalista e as considerações finais
William Bonner entrou no twitter como quem não quer nada. Começou brincando com sua falta de habilidade em tuitar. Perguntava e era prontamente respondido pelos primeiros seguidores. Não fazia menção ao Jornal Nacional e chegou a tuitar uma “receita de brigadeiro exclusiva”. O âncora do jornal recordista de audiência no Brasil há quatro décadas passava uma imagem diferente do que eu, e creio que a maioria, imaginávamos.
A partir daí, os seguidores se multiplicaram e criou-se a “tropa” do “tio Bonner”, o qual passou aos poucos a inserir o JN em suas tuitadas. Realizou votações para escolher a gravata que usaria, comentou reportagens especiais que foram ao ar, enfim, tudo de maneira bem natural. A essa altura, ele já contava com quase um milhão de seguidores no twitter.
Atualmente, Bonner tem exatos 1,280,671 (um milhão, 280 mil e 671) seguidores. Sempre inovador, ele agora tuita durante a apresentação do Jornal Nacional. O “comandante” informa sobre o que virá no próximo bloco, comenta trechos de matérias e, ao final, se despede com um intimista “show, né? Vocês também. Obrigado, tropa. Inté”.
E onde entra o @Sencacionalista nessa história? Bom, ele serve como elo de ligação entre os dois exemplos. Primeiramente, o site Sensacionalista: Um jornal isento de verdade (assim mesmo, sem vírgula) foi criado por um grupo de amigos. A ideia é soltar na internet manchetes falsas baseadas em acontecimentos do cotidiano. Deu certo. O twitter do @Sensacionalista está próximo de alcançar os 60 mil seguidores. Os caras já causaram confusão quando publicaram a “notícia” de que uma americana havia ficado grávida assistindo a um filme pornô 3D. Basta uma rápida busca no google para descobrir que grandes jornais de todo o mundo publicaram a piada como sendo verdadeira.
Recentemente, a equipe responsável pelo @Sensacionalista assinou contrato com o canal a cabo Multishow para um programa que deve estrear em março deste ano. Eles farão o caminho inverso ao feito por William Bonner. Bonner já era sucesso na televisão, com uma carreira de mais de 20 anos dedicados ao jornalismo. Aventurou-se no twitter e conseguiu repetir o êxito em um território nem sempre seguro para celebridades. Já o @Sensacionalista conquistou sucesso no twitter e vai partir para uma nova empreitada em um grande canal de televisão.
Com esses exemplos, procurei ilustrar o que levou ao sucesso três twitters tão diferentes. Isso não quer dizer que exista uma fórmula. Existem vários outros casos bem sucedidos de pessoas, empresas e organizações que conseguem, em maior ou menor grau, sucesso no twitter. Esse “sucesso” pode ser compreendido de várias formas, assim como o número de seguidores não define por si só o êxito. A apresentadora Xuxa Meneguel, desde que se calou no twitter em 2009, já ganhou mais de 300 mil seguidores. Pense nisso.
Para encerrar o artigo, faço uma última consideração sobre o @Sensacionalista. A equipe responsável pelo site e pelo twitter é sem dúvida muito competente, e eles podem ter ganhado uma contribuição de peso, já que anunciaram oferta de emprego como redatora para a estagiária que foi “devolvida” pelo STF no episódio da piada com Sarney (leia aqui). Quem sabe a moça não vira um sucesso no twitter? Quem sabe?
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Como perder a moral em 48 horas
Desde o dia 09 de julho de 2011 escrevo uma coluna semanal no portal SPNet. A coluna é publicada sempre às quintas-feiras e dedica-se a repercutir o que se comenta, ou divulga-se, sobre o São Paulo Futebol Clube, meu time de coração, nas redes sociais. A coluna abaixo foi publicada no dia 25 de agosto e me colocou em primeiro lugar entre as mais acessadas. Quando pensei em publicar uma aqui no blog, essa foi a que me veio em mente. Por que será, não é mesmo?
Rodrigo Ramthum
Como perder a moral em 48 horas
O Henrique ensina.
Publicado por ramthum
25/08/2011
O Brasil foi campeão do Mundial Sub 20. Isso todo mundo já sabe. No plantel convocado pelo Gogó de Ouro Ney Franco, quatro jogadores do São Paulo: Bruno Uvini, Casemiro, Willian José e o nosso grande/super/ultra/power atacante Henrique.
Henrique é prata da casa. Foi eleito o melhor jogador e artilheiro do Mundial Sub-20, o que deixou a nós, sãopaulinos, orgulhosos, como prova o twitter oficial do tricolor (leia aqui). O fato é que Henrique tinha todas as condições para chegar ao Brasil como herói e cair nos braços da torcida. Mas o que ele fez? Jogou merda no ventilador!
Henrique chegou bufando. Ainda no aeroporto disse que não queria mais conversa com o São Paulo Futebol Clube, que não estava sendo valorizado, etc, etc. Falou poucas e boas e ainda por cima divulgou pelo seu twitter oficial a entrevista que deu ao LANCE!NET (veja aqui). Os torcedores reagiram de imediato. Também pelo twitter, o tricolor Guilherme Filho comentou: “São essas atitudes que te deixa no banco. Baixa a bola!” (leia aqui).
Henrique não ouviu o conselho. Logo no início da semana foi o convidado do programa Arena SporTV e simplesmente detonou o São Paulo em cadeia nacional. Voltou a afirmar que estava insatisfeito, que tinha propostas, enfim, novamente falou o que quis. O time de comentaristas do canal, inclusive o ídolo Muller, apoiaram o jogador e colocaram em dúvida a qualidade das categorias de base do São Paulo, tão elogiada por eles próprios.
Parecia ensaiado. Não me arrisco a tentar explicar, mas que parecia algo planejado e arquitetado, isso parecia. Não estou me referindo apenas à entrevista no Arena. Falo de tudo relacionado a este caso. Chego a acreditar que ainda na semifinal do Mundial Sub 20, onde Henrique foi destaque, ele e seu empresário já começaram a pensar em como agir caso ele fosse campeão.
Eu não gostei. O torcedor Romulo Sanz também não gostou e soltou o verbo. Já foi logo dizendo que “o São Paulo já teve Raí, Müller, Careca... temos Luis Fabiano e Dagoberto em ótima fase, e um tal de Henrique quer ser Craque?”(leia aqui), questionou. O fato é que após todo esse imbróglio, Henrique assinou contrato por cinco anos.
De acordo com o próprio jogador, “a situação agora está 100% resolvida. Ambas as partes saíram felizes.” Será mesmo? Vocês estão felizes? Eu, particularmente, vou cobrar do Henrique cada bobagem que ele disse sobre o São Paulo. Já que ele adotou o caminho do enfrentamento pela mídia, creio que não podemos responder de outra forma, senão cobrando que ele retribua em campo toda essa arrogância que tivemos que tolerar nos últimos dias.
Como ele próprio disse que não tinha mais contrato com o São Paulo (leia aqui), seja bem vindo de volta, Henrique. Espero que esteja realmente pronto para reconquistar a nação tricolor.
Tuitada da semana
"Com ofertas do exterior, Henrique diz que contrato com São Paulo é 'ilegal'" (@SporTV)
SPNet Oficial
- destaque da semana no twitter do SPNet -
"RT @aletdiz Destaque no Mundial na Colômbia, o atacante Henrique já notificou o São Paulo de que não retornará mais ao clube do Morumbi." (21 de agosto)
"Diálogo é a base da convivência entre Ceni e preparador http://migre.me/5x2Ct" (21 de agosto)
"De Ronaldinho do Paraguai a Imperador no CRB: Aloísio volta como ídolo http://migre.me/5xnfY" (22 de agosto)
"Com bons números, Dagoberto sonha com a Seleção Brasileira http://migre.me/5xA6f" (22 de agosto)
"Henrique renova contrato por cinco anos com o Tricolor http://bit.ly/rodJQ6" (24 de agosto)
O são paulino Rodrigo Ramthum (@rodrigoramthum) tem 29 anos, é jornalista e reside em Brasília, DF. Escreve nesse espaço sempre às quintas-feiras
Rodrigo Ramthum
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Como perder a moral em 48 horas
O Henrique ensina.
Publicado por ramthum
25/08/2011
O Brasil foi campeão do Mundial Sub 20. Isso todo mundo já sabe. No plantel convocado pelo Gogó de Ouro Ney Franco, quatro jogadores do São Paulo: Bruno Uvini, Casemiro, Willian José e o nosso grande/super/ultra/power atacante Henrique.
Henrique é prata da casa. Foi eleito o melhor jogador e artilheiro do Mundial Sub-20, o que deixou a nós, sãopaulinos, orgulhosos, como prova o twitter oficial do tricolor (leia aqui). O fato é que Henrique tinha todas as condições para chegar ao Brasil como herói e cair nos braços da torcida. Mas o que ele fez? Jogou merda no ventilador!
Henrique chegou bufando. Ainda no aeroporto disse que não queria mais conversa com o São Paulo Futebol Clube, que não estava sendo valorizado, etc, etc. Falou poucas e boas e ainda por cima divulgou pelo seu twitter oficial a entrevista que deu ao LANCE!NET (veja aqui). Os torcedores reagiram de imediato. Também pelo twitter, o tricolor Guilherme Filho comentou: “São essas atitudes que te deixa no banco. Baixa a bola!” (leia aqui).
Henrique não ouviu o conselho. Logo no início da semana foi o convidado do programa Arena SporTV e simplesmente detonou o São Paulo em cadeia nacional. Voltou a afirmar que estava insatisfeito, que tinha propostas, enfim, novamente falou o que quis. O time de comentaristas do canal, inclusive o ídolo Muller, apoiaram o jogador e colocaram em dúvida a qualidade das categorias de base do São Paulo, tão elogiada por eles próprios.
Parecia ensaiado. Não me arrisco a tentar explicar, mas que parecia algo planejado e arquitetado, isso parecia. Não estou me referindo apenas à entrevista no Arena. Falo de tudo relacionado a este caso. Chego a acreditar que ainda na semifinal do Mundial Sub 20, onde Henrique foi destaque, ele e seu empresário já começaram a pensar em como agir caso ele fosse campeão.
Eu não gostei. O torcedor Romulo Sanz também não gostou e soltou o verbo. Já foi logo dizendo que “o São Paulo já teve Raí, Müller, Careca... temos Luis Fabiano e Dagoberto em ótima fase, e um tal de Henrique quer ser Craque?”(leia aqui), questionou. O fato é que após todo esse imbróglio, Henrique assinou contrato por cinco anos.
De acordo com o próprio jogador, “a situação agora está 100% resolvida. Ambas as partes saíram felizes.” Será mesmo? Vocês estão felizes? Eu, particularmente, vou cobrar do Henrique cada bobagem que ele disse sobre o São Paulo. Já que ele adotou o caminho do enfrentamento pela mídia, creio que não podemos responder de outra forma, senão cobrando que ele retribua em campo toda essa arrogância que tivemos que tolerar nos últimos dias.
Como ele próprio disse que não tinha mais contrato com o São Paulo (leia aqui), seja bem vindo de volta, Henrique. Espero que esteja realmente pronto para reconquistar a nação tricolor.
Tuitada da semana
"Com ofertas do exterior, Henrique diz que contrato com São Paulo é 'ilegal'" (@SporTV)
SPNet Oficial
- destaque da semana no twitter do SPNet -
"RT @aletdiz Destaque no Mundial na Colômbia, o atacante Henrique já notificou o São Paulo de que não retornará mais ao clube do Morumbi." (21 de agosto)
"Diálogo é a base da convivência entre Ceni e preparador http://migre.me/5x2Ct" (21 de agosto)
"De Ronaldinho do Paraguai a Imperador no CRB: Aloísio volta como ídolo http://migre.me/5xnfY" (22 de agosto)
"Com bons números, Dagoberto sonha com a Seleção Brasileira http://migre.me/5xA6f" (22 de agosto)
"Henrique renova contrato por cinco anos com o Tricolor http://bit.ly/rodJQ6" (24 de agosto)
O são paulino Rodrigo Ramthum (@rodrigoramthum) tem 29 anos, é jornalista e reside em Brasília, DF. Escreve nesse espaço sempre às quintas-feiras
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Artigo: Luz, câmera, Karate
Já que o post anterior foi sobre cinema, esse aqui é um artigo que publiquei em 15 de agosto de 2009 no meu blog Sobre Dojos e Ringues. Ele faz uma relação entre o filme japones "Kuro-Obi" e o karate da família Machida.
Rodrigo Ramthum
Artigo: Luz, câmera, Karate
por Rodrigo Ramthum
Acabo de rever o filme Kuro-Obi. O Karate teve seus bons momentos no cinema, mas Kuro-Obi é sem dúvida um filme síntese. Foi lançado em 2007, mas não chegou ao circuito comercial aqui no Brasil. De qualquer maneira, são muitos os karatecas que assistiram e não encontrei na rede mundial quem não tivesse gostado do filme.
A grande questão no Kuro-Obi é como ele incorpora o espírito do karate tradicional e, transitando entre sutileza e rispidez, mostra todos os princípios da arte das mãos vazias, tais como o respeito (Não se esqueça de que o Karate-do começa e termina com REI), a não violência (Não existe primeiro golpe no Karate) e, é claro, a prontidão (Ao sair pelo seu portão, você se depara com um milhão de inimigos). Independente de escola, federação, associação, ou qualquer coisa que o valha, o karate em essência é isso.
Outros princípios que reconheço no filme são a retidão (O karate permanece do lado da justiça), concentração (A mente deve ficar livre), além de encontrar também aspectos técnicos como o 17º princípio do Shotokan, onde diz que “A KAMAE (posição de prontidão) é para os iniciantes; com o tempo, adota-se a SHIZENTAI (postura natural)”, basta observar os protagonistas Giryu (Akihito Yagi) e Taikan (Tatsuya Naka), já o Choei (Yuji Suzuki) nem tanto, hehehehe.
Revi Kuro-Obi depois de ler a matéria de capa da Tatame desse mês. Uma reportagem detalhada com 11 páginas contando a história da família Machida. Lyoto é o destaque, mas no texto você fica conhecendo melhor os irmãos e o pai de Machida, Yoshizo Machida. Inspirador. É ótimo constatar que existem famílias vivendo não apenas do Karate, mas para o Karate. A opção de Lyoto por lutar MMA ainda será reconhecida como histórica para o Karate moderno.
Refletindo sobre o que já li, e vi, a respeito de Lyoto Machida, entendo que se trata de um karateca no sentido tradicional do termo. Lyoto demonstra respeito, prontidão, retidão, concentração, e naturalidade. Para aqueles que acharem que me esqueci da não violência citada no segundo parágrafo, eu penso que o simples fato dele lutar em um evento oficial, sob regras determinadas, e ter um comportamento disciplinado fora do octagon, demonstra que Machida não é nenhum brigão, mas sim um lutador.
No texto publicado na Tatame, o patriarca da família Machida afirma que a verdadeira filosofia do karate é definir o combate, assim como no judô se tem o ippon e no Jiu-Jitso a finalização. Ele também conta que frequentemente ‘puxa a orelha’ do filho. “Sempre brigo com o Lyoto para não tirar pontos dos adversários, mas para decidir a luta o quanto antes”, disse ele ao repórter Marcelo Alonso, autor da matéria. Ocorre que o bom trabalho de defesa é justamente o diferencial de Lyoto no UFC. O patriarca concorda, afirmando que “por ter um estilo diferente do meu [Yoshizo] e do Chinzo, o Lyoto desenvolveu muito a parte defensiva dele (...). Não é a toa que ele é o único que nunca tomou uma porrada.”
No luta final do Kuro-Obi, entre Giryu e Taikan, ocorre o seguinte diálogo:
Taikan: Agora posso compreender as palavras do mestre. Aquele que consegue evitar melhor o ataque é mais forte.
Giryu: Quero agradecê-lo. Se você não desviasse dos ensinamentos eu nunca teria aprendido. Seus ataques são tão bons, que exigem tudo de mim. Obrigado.
Taikan: Essa era a maneira correta pra mim, Giryu. Você merece a faixa-preta (Kuro-Obi). Você é o melhor.
Ao rever esse diálogo do filme, veio na minha cabeça uma associação clara com o karate dos Machida. Mal comparando, diria que o karate por eles praticado mostra que podemos ter no ataque a melhor defesa, bem como ter na defesa o melhor ataque. Prova disso é a continuação da conversa com o pai de Lyoto. No texto, Yoshizo afirma que, contra Rashad [Evans], mandou o filho mudar a característica: "disse pra ele tentar o nocaute logo no início, e ele consegui", afirmou. A luta durou exatos 3 minutos e 29 segundos.
Isso me lembra outro princípio: Mude de estratégia de acordo com o adversário.
Oss
Rodrigo Ramthum
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Artigo: Luz, câmera, Karate
por Rodrigo Ramthum
Acabo de rever o filme Kuro-Obi. O Karate teve seus bons momentos no cinema, mas Kuro-Obi é sem dúvida um filme síntese. Foi lançado em 2007, mas não chegou ao circuito comercial aqui no Brasil. De qualquer maneira, são muitos os karatecas que assistiram e não encontrei na rede mundial quem não tivesse gostado do filme.
A grande questão no Kuro-Obi é como ele incorpora o espírito do karate tradicional e, transitando entre sutileza e rispidez, mostra todos os princípios da arte das mãos vazias, tais como o respeito (Não se esqueça de que o Karate-do começa e termina com REI), a não violência (Não existe primeiro golpe no Karate) e, é claro, a prontidão (Ao sair pelo seu portão, você se depara com um milhão de inimigos). Independente de escola, federação, associação, ou qualquer coisa que o valha, o karate em essência é isso.
Outros princípios que reconheço no filme são a retidão (O karate permanece do lado da justiça), concentração (A mente deve ficar livre), além de encontrar também aspectos técnicos como o 17º princípio do Shotokan, onde diz que “A KAMAE (posição de prontidão) é para os iniciantes; com o tempo, adota-se a SHIZENTAI (postura natural)”, basta observar os protagonistas Giryu (Akihito Yagi) e Taikan (Tatsuya Naka), já o Choei (Yuji Suzuki) nem tanto, hehehehe.
Revi Kuro-Obi depois de ler a matéria de capa da Tatame desse mês. Uma reportagem detalhada com 11 páginas contando a história da família Machida. Lyoto é o destaque, mas no texto você fica conhecendo melhor os irmãos e o pai de Machida, Yoshizo Machida. Inspirador. É ótimo constatar que existem famílias vivendo não apenas do Karate, mas para o Karate. A opção de Lyoto por lutar MMA ainda será reconhecida como histórica para o Karate moderno.
Refletindo sobre o que já li, e vi, a respeito de Lyoto Machida, entendo que se trata de um karateca no sentido tradicional do termo. Lyoto demonstra respeito, prontidão, retidão, concentração, e naturalidade. Para aqueles que acharem que me esqueci da não violência citada no segundo parágrafo, eu penso que o simples fato dele lutar em um evento oficial, sob regras determinadas, e ter um comportamento disciplinado fora do octagon, demonstra que Machida não é nenhum brigão, mas sim um lutador.
No texto publicado na Tatame, o patriarca da família Machida afirma que a verdadeira filosofia do karate é definir o combate, assim como no judô se tem o ippon e no Jiu-Jitso a finalização. Ele também conta que frequentemente ‘puxa a orelha’ do filho. “Sempre brigo com o Lyoto para não tirar pontos dos adversários, mas para decidir a luta o quanto antes”, disse ele ao repórter Marcelo Alonso, autor da matéria. Ocorre que o bom trabalho de defesa é justamente o diferencial de Lyoto no UFC. O patriarca concorda, afirmando que “por ter um estilo diferente do meu [Yoshizo] e do Chinzo, o Lyoto desenvolveu muito a parte defensiva dele (...). Não é a toa que ele é o único que nunca tomou uma porrada.”
No luta final do Kuro-Obi, entre Giryu e Taikan, ocorre o seguinte diálogo:
Taikan: Agora posso compreender as palavras do mestre. Aquele que consegue evitar melhor o ataque é mais forte.
Giryu: Quero agradecê-lo. Se você não desviasse dos ensinamentos eu nunca teria aprendido. Seus ataques são tão bons, que exigem tudo de mim. Obrigado.
Taikan: Essa era a maneira correta pra mim, Giryu. Você merece a faixa-preta (Kuro-Obi). Você é o melhor.
Ao rever esse diálogo do filme, veio na minha cabeça uma associação clara com o karate dos Machida. Mal comparando, diria que o karate por eles praticado mostra que podemos ter no ataque a melhor defesa, bem como ter na defesa o melhor ataque. Prova disso é a continuação da conversa com o pai de Lyoto. No texto, Yoshizo afirma que, contra Rashad [Evans], mandou o filho mudar a característica: "disse pra ele tentar o nocaute logo no início, e ele consegui", afirmou. A luta durou exatos 3 minutos e 29 segundos.
Isso me lembra outro princípio: Mude de estratégia de acordo com o adversário.
Oss
Resenha “Anatomia de um Crime” (1959)
Escrevi essa resenha em 4 de outubro de 2011. Ela foi parte de um projeto que apresentei para a OAB-DF (Ordem dos Advogados do Brasil, seccional DF). Era uma proposta de coluna sobre cinema, voltada para os chamados "trialmovies". A coluna nunca saiu do papel, mas ficou a resenha.
Rodrigo Ramthum
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Resenha “Anatomia de um Crime” (1959)
Uma estrada em Michigan, nos Estados Unidos. Um veículo se aproxima. É o advogado Paul Biegler (James Stewart) conduzindo seu velho Cadillac. A câmera o acompanha. Em um bar, vemos um senhor tomando seu último drink. Trata-se de Parnell McCarthy (Arthur O'Connell), melhor amigo de Biegler.
Anatomia de um Crime (1959), obra prima do diretor austríaco Otto Preminger, é sem dúvida uma referencia quando o assunto é filmes com temática ligada ao Direito, os chamados “trialmovies” ou “courtroom drama” (“filmes de julgamento” ou “dramas de tribunal”, em traduções literais). Além de Preminger na direção, o filme conta também com roteiro assinado por Wendell Mayes e trilha sonora composta pelo mestre do jazz Duke Ellington.
A trama gira em torno do assassinato cometido por um militar de nome Frederick "Manny" Manion (Ben Gazzara). Após a prisão de “Manny”, sua esposa, Laura Manion (Lee Remick), recorre aos serviços doprotagonista Biegler. A partir desse ponto têm-se início uma série de conflitos envolvendo os três personagens centrais da trama: o assassino, sua bela esposa e seu advogado.
James Stewart, então com 51 anos, atua de forma brilhante na pele do personagem Paul Biegler, um advogado do interior que, após sair derrotado de uma disputa para promotor público, perde o gosto pelo Direito e passa a dedicar boa parte do seu tempo a tocar piano, pescar e conversar com seu amigo, o também advogado Parnell McCarthy.
Ocorre que a proposta de Laura Manion para defender seu marido traz de volta a Biegler o gosto pela sua profissão, e isso termina por contagiar a todos no filme, inclusive McCarthy, que, aposentado, sofre com a dependência do álcool. Os dois passam a estudar o caso de Frederick “Manny” e a montar uma defesa para a acusação de assassinato.
Antes de aceitar o caso, porém, Paul Biegler e “Manny” protagonizam a clássica negociação entre cliente e advogado. Durante a cena, Biegler diz ter apenas “quatro formas de defender um réu em um caso de assassinato”. Revelá-las aqui seria um crime. Recomendo ouvirem dele próprio. Que tal?
Ficha técnica e informações adicionais:
Anatomia de um Crime
Título original: Anatomy of a Murder
Ano de lançamento: 1959
Idioma: Inglês
Duração: 160 minutos
- o filme foi indicado para sete Oscars, entre eles o de “Melhor Ator” para James Stewart;
- o músico Duke Ellington faz uma participação especial no filme, onde toca piano em um bar ao lado do protagonista Paul Biegler;
- o cartaz do filme foi feito por Saul Bass, um dos mestres no ofício;
- o filme foi considerado pela American Bar Association, entidade composta por advogados de todos os Estados Americanos, um dos 12 melhores do gênero.
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